quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Reportagem: Amadorismo sobrevive como construtor de laços afectivos

Em Portugal, o amadorismo encontra-se implementado em todo o país. Grupos folclóricos, corais, teatrais ou desportivos existem em todos os lugares, envolvendo jovens e velhos, muitas vezes promovendo o encontro geracional.

Os recursos são escassos, com a sobreviviência dos diferentes conjuntos a estar, muitas vezes, exclusivamente dependente do poder local, ou seja, autarquias e juntas de freguesia. A iniciativa privada pouco conta para a actividade cultural amadora. No entanto, a principal forma de sobrevivência é o auto-financiamento. O grupo de dança All for Dance é um dos exemplos da dependência da iniciativa dos próprios membros, até porque o objectivo do conjunto é o convívio, a descontracção e a dança. Já o grupo de teatro Máscaras, da Escola Secundária de Paços de Ferreira, ostenta a independência como uma das imagens de marca. Segundo Celestina Gomes, encenadora, "a auto-suficiência é uma das características dos espectáculos que organizamos, mas quando somos convocados, por exemplo, pela autarquia, esta tem-nos sempres garantido e pago todas as condições e despesas".


O recurso a cenários minimalistas é característico do Máscaras
Foto por Pedro Moura

Os grupos amadores existem pelo simples gosto dos seus membros. No grupo de teatro escolar de Paços de Ferreira, nem as encenadoras Maria José Dias e Celestina Gomes, nem os alunos, têm formação teatral específica. No entanto, o nível de exigência é muito elevado. "Outra das características do nosso grupo é o facto de escolhermos sempre textos clássicos, difíceis, e de nunca os alterar", avançou Maria José Dias. Celestina Gomes lamenta que a formação Máscaras faça um serviço público, mas não seja visto como tal pelo público, isto porque os textos representados exigem um esforço de reflexão por parte da audiência. Os espectadores dos grupos amadores esperam actuações mais ligadas à cultura popular e popularizada. A apresentação de trabalhos de base erudita faz com que haja, por vezes, um certo afastamento em relação aos conjuntos que procuram inovar. Esta é a opinião de Carolina Araújo, membro do grupo coral da Associação de Professores e Educadores de Amares.

O desporto é uma das principais actividades amadoras. Os clubes de futebol destacam-se pelo número de praticantes que conseguem captar e pela popularidade dos eventos desportivos. Por exemplo, algumas equipas amadoras, como o Sport Comércio e Salgueiros, são capazes de atrair mais gente do que a maioria dos clubes profissionais. O clube nortenho recebe, em média, duas mil pessoas por jogo. Não tem sequer um estádio próprio e joga em Matosinhos, sendo o clube natural de Paranhos, concelho do Porto. Segundo os dados oficiais da Liga de Futebol, apresenta uma média de espectadores superior a três clubes da Liga Sagres na época 2009/2010 (Naval, Nacional e Paços de Ferreira). No entanto, aqui também é o puro gosto pelo futebol que move os atletas amadores. Estes têm que conciliar a vida profissional com a modalidade e os sacrifícios, por vezes, são muitos. Pedro Nogueira, ex-jogador amador, fala, por exemplo, das grandes viagens que obrigam os atletas a acordar de madrugada.


Sport Comércio e Salgueiros, fundado em 1911
Fonte: futebolformacaoiniciados.blogs.sapo.pt

Um aspecto une todas os grupos visitados pelo Épóblogue: a união e os laços humanos que se estabelecem pela prática de uma actividade amadora.

  • All for Dance - um grupo de dança de uma zona rural pode ser muito mais do que folclore.
  • Máscaras - a representação de textos clássicos ajuda alunos no desempenho escolar.
  • Desporto - a prática das actividades amadoras reflecte a organização social de Portugal. 

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