A Associação de Professores e Educadores de Amares (APEA) surgiu em 1993. A sua finalidade é dar apoio à educação. Estes professores e educadores reúnem esforços para dinamizar pedagogicamente o concelho e fazer o intercâmbio entre Câmara de Amares, as escolas e universo pais/alunos do concelho.
Pouco tempo depois, no ano de 1995, quinze elementos desta associação juntaram-se, informalmente, para uma participação num festival de reis. O certame foi um sucesso e deixou nos quinze professores o “bichinho” pela música. Assim nasceu o coro da APEA, enquanto grupo de reportório tradicional de canções portuguesas, com instrumentos típicos portugueses. Em 1996/97 foi aos poucos encaminhado para um coro à capella, abordando música de diferentes géneros musicais: desde a música tradicional do Cancioneiro Alberto Sampaio, música erudita, espirituais negros, canções portuguesas até à música religiosa.
| APEA reunido Foto por Diana Sousa |
Inicialmente, o grupo coral da APEA era só composto por professores de Amares e alguns familiares. Contudo, outras pessoas, de outras classes profissionais, mostraram-se interessadas em participar e o coro cresceu. Aos poucos, os ensaios foram-se tornando regulares e os convites para concertos começaram a aparecer. Actualmente, o coro é composto por cerca de 30 elementos: 12 homens e 23 mulheres, com idades compreendidas entre os 14 e os 75 anos. A classe dos professores é a mais representada no grupo, mas temos também estudantes, engenheiros, comerciantes, etc. O coro ensaia uma vez por semana, durante cerca de uma hora e meia, na Escola EB23 de Amares. E em média, por ano, realiza cerca de seis actuações formais, mas também participa em missas de casamento e em festas litúrgicas.
A motivação para dar continuidade ao projecto passou pela orientação e dedicação da maestrina Filomena Araújo. Aliás, os elementos que hoje compõem o grupo coral da APEA não hesitam em afirmar que o sucesso do trabalho realizado se deve, em boa parte, à maestrina, presente desde a fundação do coro.
E quando perguntámos aos elementos o que melhor caracteriza o seu grupo coral as respostas foram muito semelhantes. E podem ser sintetizadas em poucas palavras: convívio, voluntariado e gosto pela música. Os ensaios e os diversos momentos informais (como jantares) em que o coro se junta são marcados pela boa disposição. Já os momentos de actuação em público surgem como a concretização da aprendizagem. São por isso levados bem a sério. «Um concerto é o momento de mostrar aquilo que realmente valemos», afirmou Beatriz Pires, professora do ensino básico e uma das fundadoras do grupo coral e da própria APEA. Mas estes momentos altos de actuação em público simbolizam também uma troca de experiências com outros coros, com outras pessoas.
| APEA em actuação em Amares Foto por Diana Sousa |
Contudo, nem tudo é um mar de rosas, pois pertencer ao grupo coral da APEA tem um lado mais difícil: as reprimendas da maestrina Filomena antes dos concertos. Segundo os elementos do coro, a Mena, como lhe chamam, é exigente. E, nos breves momentos que antecedem a entrada em palco, dada a preocupação para que tudo corra bem, revela uma certa rispidez.
Neste momento, o grupo coral dá grande visibilidade à APEA, enquanto a associação de professores e educadores de Amares legalizada em termos institucionais. As participações nos concertos de Natal, Ano Novo, Reis, 25 de Abril e Páscoa do concelho permitem ao coro colaborar na dinamização da comunidade amarense. Devido a isto, estabelecem-se algumas parcerias com a Câmara de Amares. Por exemplo, nas poucas vezes que foi necessário, a Câmara facultou transportes para as deslocações do grupo.
Ainda assim, o grupo coral da APEA partilha da opinião que o concelho amarense não dá o feedback necessário ao seu trabalho. Gisela Machado, de 29 anos, professora de físico-química, diz que em Amares não há uma cultura musical. “As pessoas daqui preferem concertinas e folclore. O erudito é estranho”, acrescenta Carolina Araújo, 18 anos, estudante. A maestrina, Mena, afirma mesmo que Amares é uma “terra árida” em relação ao trabalho do coro. E o seu colega António Almeida, engenheiro agrónomo, completa ao dizer que, no concelho, faltam bases culturais: é que não existem boas ofertas a nível musical, nem a devida divulgação das iniciativas culturais que ainda se vão realizando.
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