quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

APEA: Um coro erudito num meio tradicional


A Associação de Professores e Educadores de Amares (APEA) surgiu em 1993. A sua finalidade é dar apoio à educação. Estes professores e educadores reúnem esforços para dinamizar pedagogicamente o concelho e fazer o intercâmbio entre Câmara de Amares, as escolas e universo pais/alunos do concelho.

Pouco tempo depois, no ano de 1995, quinze elementos desta associação juntaram-se, informalmente, para uma participação num festival de reis. O certame foi um sucesso e deixou nos quinze professores o “bichinho” pela música. Assim nasceu o coro da APEA, enquanto grupo  de reportório tradicional de canções portuguesas, com instrumentos típicos portugueses. Em 1996/97 foi aos poucos encaminhado para um coro à capella, abordando música de diferentes géneros musicais: desde a música tradicional do Cancioneiro Alberto Sampaio, música erudita, espirituais negros, canções portuguesas até à música religiosa.

APEA reunido
Foto por Diana Sousa

Inicialmente, o grupo coral da APEA era só composto por professores de Amares e alguns familiares. Contudo, outras pessoas, de outras classes profissionais, mostraram-se interessadas em participar e o coro cresceu. Aos poucos, os ensaios foram-se tornando regulares e os convites para concertos começaram a aparecer. Actualmente, o coro é composto por cerca de 30 elementos: 12 homens e 23 mulheres, com idades compreendidas entre os 14 e os 75 anos. A classe dos professores é a mais representada no grupo, mas temos também estudantes, engenheiros, comerciantes, etc. O coro ensaia uma vez por semana, durante cerca de uma hora e meia, na Escola EB23 de Amares. E em média, por ano, realiza cerca de seis actuações formais, mas também participa em missas de casamento e em festas litúrgicas.

A motivação para dar continuidade ao projecto passou pela orientação e dedicação da maestrina Filomena Araújo. Aliás, os elementos que hoje compõem o grupo coral da APEA não hesitam em afirmar que o sucesso do trabalho realizado se deve, em boa parte, à maestrina, presente desde a fundação do coro.

E quando perguntámos aos elementos o que melhor caracteriza o seu grupo coral as respostas foram muito semelhantes. E podem ser sintetizadas em poucas palavras: convívio, voluntariado e gosto pela música. Os ensaios e os diversos momentos informais (como jantares) em que o coro se junta são marcados pela boa disposição. Já os momentos de actuação em público surgem como a concretização da aprendizagem. São por isso levados bem a sério. «Um concerto é o momento de mostrar aquilo que realmente valemos», afirmou Beatriz Pires, professora do ensino básico e uma das fundadoras do grupo coral e da própria APEA. Mas estes momentos altos de actuação em público simbolizam também uma troca de experiências com outros coros, com outras pessoas.

APEA em actuação em Amares
Foto por Diana Sousa

Contudo, nem tudo é um mar de rosas, pois pertencer ao grupo coral da APEA tem um lado mais difícil: as reprimendas da maestrina Filomena antes dos concertos. Segundo os elementos do coro, a Mena, como lhe chamam, é exigente. E, nos breves momentos que antecedem a entrada em palco, dada a preocupação para que tudo corra bem, revela uma certa rispidez. 

Neste momento, o grupo coral dá grande visibilidade à APEA, enquanto a associação de professores e educadores de Amares legalizada em termos institucionais. As participações nos concertos de Natal, Ano Novo, Reis, 25 de Abril e Páscoa do concelho permitem ao coro colaborar na dinamização da comunidade amarense. Devido a isto, estabelecem-se algumas parcerias com a Câmara de Amares. Por exemplo, nas poucas vezes que foi necessário, a Câmara facultou transportes para as deslocações do grupo.

Ainda assim, o grupo coral da APEA partilha da opinião que o concelho amarense não dá o feedback necessário ao seu trabalho. Gisela Machado, de 29 anos, professora de físico-química, diz que em Amares não há uma cultura musical. “As pessoas daqui preferem concertinas e folclore. O erudito é estranho”, acrescenta Carolina Araújo, 18 anos, estudante. A maestrina, Mena, afirma mesmo que Amares é uma “terra árida” em relação ao trabalho do coro. E o seu colega António Almeida, engenheiro agrónomo, completa ao dizer que, no concelho, faltam bases culturais: é que não existem boas ofertas a nível musical, nem a devida divulgação das iniciativas culturais que ainda se vão realizando.

Sem comentários:

Enviar um comentário