quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Encenadoras do grupo Máscaras reconhecem importância pedagógica do teatro escolar


Exigência das grandes peças é positiva para o desenvolvimento dos alunos

Maria José Dias e Celestina Gomes, responsáveis pela encenação do grupo de dramaturgia da Escola Secundária de Paços de Ferreira, consideram que o contacto com textos dramáticos beneficia o desempenho escolar. A escolha recorrente de obras clássicas e a fidelidade ao texto original aumentam a dificuldade da relação que os alunos estabelecem com as peças. Mas também são as razões que tornam o teatro escolar útil, até porque obrigam a uma aprendizagem específica.

“A partir do momento em que se trabalha com um clássico e em que o aluno entra em contacto com o texto tal como ele é, para Filosofia, para Matemática, para Português, para a vida, é sempre importante”, acredita Celestina Gomes, docente de Filosofia. Já Maria José Dias lecciona Português e Literatura Portuguesa. A professora reconhece que “a sensibilidade aos textos literários, a capacidade de expressão e a capacidade interpretativa são outras”. Para além disto, os alunos parecem aplicar-se mais nas disciplinas ligadas às línguas, apontou. Bárbara Machado é aluna do 12.º ano de Línguas e Literaturas e quer ser magistrada. Apesar de não pretender continuar os estudos em qualquer arte performativa, a jovem de 17 anos acredita que a experiência no teatro pode ser uma mais-valia. “Espero, um dia, utilizar a facilidade do meu discurso para ter um bom trabalho e ser uma boa profissional”, avançou.

As condições de ensaio do grupo Máscaras não são as melhores. Devido ao programa de renovação do Parque Escolar, a Escola Secundária de Paços de Ferreira encontra-se em obras. O antigo auditório foi substituído por estruturas pré-fabricadas. Ainda assim, hoje é melhor do que ontem, até porque as anteriores instalações apresentavam inúmeros problemas, desde um fraco isolamento acústico, à permeabilidade à entrada de água quando chovia. Contudo, como refere Maria José Dias, “a relação que se cria com os alunos é fantástica”. A professora já se encontra a sofrer por antecipação, pois grande parte dos membros do actual conjunto de actores está prestes a acabar o ensino secundário. “Vão sair da escola os alunos com quem já trabalhamos desde o sétimo ano”, recordou. No entanto, Celestina Gomes encontra um alento especial ao saber que os jovens actores procuram continuar no teatro amador, mesmo já estando na universidade. Joana Pacheco tem 19 anos e frequenta o segundo ano do mestrado integrado em Psicologia, na Universidade do Porto. Começou a carreira de actriz em part-time há três anos, no último dos 12 do ensino secundário. Ainda que haja dificuldade de compatibilizar os estudos com o teatro, a universitária pretende continuar ligada ao Máscaras. “Adquiri uma maior facilidade em me expressar”, apontou, o que constitui um incentivo para continuar.
Virgílio Castelo (ao centro) na estreia de O Avarento
Foto por Pedro Moura

Maria José Dias orgulha-se das opiniões que recebe dos alunos. A encenadora diz que os jovens actores encaram o teatro escolar como mais uma forma de diversão, convívio e descontracção. Também, “é uma espécie de multifunções em que eles podem pôr em prática algumas das potencialidades que têm e que não têm espaço de exposição noutro contexto que não a escola”. Ainda por cima, refere Celestina Gomes, o trabalho é bem feito. Prova disso são os elogios do actor profissional Virgílio Castelo aquando da representação da peça O Avarento, de Molière, em 2008. O actual responsável pela ficção da SIC elogiou “a inteligência e o ritmo dado a um texto difícil”.



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